A Cruz de Jenuário

A Cruz de Jenuário
Autor: Natália Penas
Editora: Independente
Ano: 2012
Edição: 1
Páginas: 72

a cruz de jenuario

Ando meio desligada do mundo dos novos escritores, principalmente os de cunho nacional, confesso. Mas quando menos espero, o universo parece conspirar a meu favor e como a lei da gravitação universal já descrita por Sir Isaac Newton mostra, um corpo pode “cair” do céu. Digo cair, pois foi totalmente por acaso que descobri Natália Penas. Ou melhor, ela me descobriu.

Natália trabalha na mesma sala que eu, porém nunca havíamos parado para conversar. Foi na despedida de um colega de trabalho que ela revelou (pelo menos para mim), que era escritora. Deu um exemplar do livro que escreveu para cada um dos colegas, e seguimos assim, todos lendo A Cruz de Jenuário.

Já no começo do livro, a dedicatória dá uma pista do que estaria por vir: “Este livro é dedicado a todas as pessoas que acreditaram no meu trabalho, ou seja, ninguém. Fodam-se todos, eu limpo a minha bunda com a indiferença de vocês!”.

O livro é narrado por Dóris, a protagonista intensa, desbocada e maluca que conhece Jenuário quando o aborda pedindo seu celular emprestado depois que ela repara que perdeu o dela. A partir do encontro dos dois, dá-se início a uma grande sequência de desgraças, principalmente para ele. Acontece de tudo, e quando digo isto, não é exagero.

Em certos trechos do livro, Natália assemelha-se muito a Charles Bukowski. Principalmente na fluidez violenta e obscena, na atmosfera de linguagem despudorada e na presença do fluxo de consciência do narrador calamitoso, dotado de humor ácido e níveis alarmantes de intolerância. Um exemplo evidente ocorre em “Comecei a me debater cada vez mais forte.  Num golpe de azar, escorreguei e bati com a cabeça em cheio na pia. Eles não conseguiram me segurar e caí com a cara dentro do vaso sanitário. Acabei me sufocando com o mijo.”.

Gostei do livro. Mas principalmente, gostei do paralelo que Natália faz com a cultura pop atual, com referências reais e bem humoradas.

Destaques:

[1] “Raul, Rodrigo, Rafael, Ronaldo, Renato… Tenho uma sina com a letra R em relacionamentos. Todos deram errado, não duraram nem três meses. Após tanto drama, um novo R entrava na minha vida: o Rivotril.”

[2] “Eu me sinto tão ninja digitando em teclado apagado e acertando todas as letras. E pobre também. No momento, é exatamente o que eu estou fazendo. Eu não sei o que isso tem a ver com o capítulo, só me deu vontade de falar mesmo. Enfim…”.

[3] “A vida é feita de ciclos. Tudo que começa acaba. Assim são os dias, assim são as amizades, e assim é a vida. Sempre fui muito apegada a quem gosto, nada muito grave, como você deve ter percebido até agora. Quando penso nesses ciclos, tenho medo. Não quero que nada do que gosto termine. Ao invés de ciclos poderiam ser círculos, que ficam rodando e rodando, ganhando um novo começo assim que terminam. Há! Pareci Machado de Assis, né? Adoro conversar com o leitor. É a bebida.”

[4] “ – Mas me diga, Dóris, de onde seus pais tiraram esse nome tão escroto?

(…)

 – Eles tiraram o meu nome do mesmo lugar de onde você tirou essa expressão tão bela: do cu.”

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Sobre carolinayji

Desde que me conheço por gente, há algumas décadas, sou eu.
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