Bonequinha de Luxo

Bonequinha de Luxo
Autor: Truman Capote
Editora: Cia das Letras
Ano: –
Edição: –
Páginas: –
Tradução: Margarida Vale de Gato
Original: Breakfast at Tiffany’s

Dedicatória:

Para Jack Dimphy

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O livro é narrado em primeira pessoa, pelo aspirante a escritor Paul Varjak, que se apaixona pela jovem Holly Golightly, sua vizinha, no prédio situado em Nova Iorque em plena Segunda Guerra Mundial. Holly é uma jovem do interior, alternando inocência e ambição, com rompantes de idiossincrasias. Teve que cuidar de si precocemente e sobrevive do dinheiro que ganha de seus “diversos clientes”. Sua rotina inclui horários fora do convencional, pensamentos utópicos e paradas estratégicas em frente à vitrine de sua loja favorita, a (não-fictícia) joalheria Tiffany’s.

Boa parte da narrativa é dedicada ao fascínio e devoção que Paul, narrador onisciente, nutre em relação à Holly: a curiosidade que ela exerce sobre ele, o desejo de aproximar-se dela, fazer suas vontades, e, claro, de protegê-la. (…).

Sinceramente, no livro, não fica muito claro, pelo menos para mim, que Holly seja uma prostituta, mesmo que ela não faça nenhuma alusão a trabalho. Prefiro pensar que ela seja apenas uma “dama de companhia”. Li outras resenhas e várias pessoas afirmam que ela seja. O título em português também sugere que sim.

Truman Capote nunca escondeu sua opção sexual, sendo ativista em prol dos direitos homossexuais (aliás, é para seu companheiro por 25 anos, Jack Dunphy, a dedicatória do livro). Em sua obra, fez referência ao tema, como descrito em “Detesto ouvir os relatos na rádio, mas tem de ser, faz parte da minha pesquisa. Os homens têm tão poucos temas de conversa. Se um homem não gosta de baseball, gosta com certeza de cavalos, e se não gosta nem de baseball nem de cavalos, bem me posso considerar perdida, que também não gosta de garotas.”.

Apesar de ter se tornado um clássico da sétima arte e ganhador de dois Oscars, nunca me interessei em assistir a adaptação para o cinema com a Audrey Hepburn. Talvez agora que li o livro e percebi que não gostei, tenha despertado em mim a necessidade de entender por que esta história é tão aclamada pelo público.

 

Destaques:

[1] “Não é que não me interesse por esse lado das coisas. Mesmo com a minha idade, e no dia 10 de janeiro faço sessenta e sete anos. É estranho, mas quanto mais velho fico, mais me incomoda esse aspecto. Não me lembro de pensar tanto nisso antes, mesmo quando se é jovem e é só isso que temos na cabeça. Se calhar, quanto mais velhos ficamos e quanto mais difícil é passar do pensamento à ação, é quando passa a ser uma idéia fixa e se torna um fardo insuportável. Sempre que leio no jornal que houve um velho que se desgraçou sei que é por causa desse fardo.”

[2] “Se eu pudesse escolher entre todos os seres vivos, estalar os dedos e dizer: “Ouve lá, anda cá”, não escolhia o José. O Nehru enche-me mais as medidas, ou Weridell Willkie. Escolhia a Garbo sem pestanejar. Por que não? Uma pessoa devia poder casar-se com homens ou mulheres ou… Escute, se você me aparecesses um belo dia dizendo que querias atracar com um maricas, eu havia de te respeitar. A sério. O amor não deve ter entraves. Sou completamente a favor.”

[3] “É uma chatice mas a verdade é que as coisas boas só nos acontecem se formos bons. Bons? É mais se formos honestos, não uma honestidade de cumprir a lei…“

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Sobre carolinayji

Desde que me conheço por gente, há algumas décadas, sou eu.
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