A Montanha Mágica

Autor: Thomas Mann
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2000
Edição: 2
Páginas: 986
Tradução: Herbert Caro
Original:  Der Zauberberg
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Hans Cartop é um jovem engenheiro naval abastado que vai visitar seu primo Joachim Ziemsse, enfermo em um sanatório nos Alpes Suíços. Sua ideia é sair de Davoz-Platz em Hamburgo e estender sua estadia por no máximo três semanas. O sanatório é uma clínica de repouso com o objetivo de tratar doenças respiratórios. É importante não confundir com manicômio ou hospícios.

Castorp é órfão, sua mãe morreu de embolia e seu pai de pneumonia e por isso, provavelmente a chance hereditária de ter alguma enfermidade é bastante alta. Ele descobre que tem uma mancha no pulmão e duzentas páginas depois, acabamos descobrindo que ele está com tuberculose – que na época, era uma doença comum na Europa.

Pelo que pesquisei antes de ler este livro, Mann começou a escrevê-lo em 1912, e por conta da Primeira Guerra Mundial teve que postergar o processo de escrita, sendo este motivo então a grande influência histórica que há no livro, apesar dos lapsos atemporais da narrativa. Ele terminaria 12 anos depois, e a reflexão do contexto mundial é base para alguns diálogos na obra.

Eu poderia escrever sobre muitas outras coisas que caberiam aqui, mas não me sinto capaz. A leitura que se tornou arrastada para mim, foi finalizada de forma imperativa: questão de honra.

Terminei de ler este livro em Janeiro, mas só hoje, no semana que completo 35 anos, acabei escrevendo sobre ele. Este tomo de quase mil páginas não me afetou da maneira que esperava. A expectativa da leitura foi muito alta em relação ao que eu achei dela. Ainda acho que não amadureci para ler Thomas Mann.

[1] Era comovente ver como Hans Castorp se esforçava por mostrar-se cortês e dominar a sonolência. Sentia-se irritado pelo fato de estar tão pouco apresentável, e com a desconfiada soberba peculiar aos jovens, via no sorriso e na atitude confortante do médico apenas sinais de ironia indulgente. Respondeu que passaria três semanas ali, mencionou o seu exame e acrescentou que, graças a Deus, gozava a mais perfeita saúde. – Será? – perguntou o Dr. Krokowski, avançando a cabeça obliquamente, como para caçoar, enquanto o seu sorriso se acentuava. – Nesse caso o senhor é um fenômeno digno de ser estudado. Eu, pelo menos, ainda não encontrei um homem de perfeita saúde. Posso perguntar qual é o exame que prestou? – Sou engenheiro, doutor – comunicou Hans Castorp com dignidade e modéstia. – Ah, engenheiro! – E o sorriso do Dr. Krokowski por assim dizer se retraiu, diminuindo momentaneamente em força e cordialidade. – Uma profissão excelente! De maneira que o senhor não pretende receber aqui nenhuma assistência médica, nem de ordem física nem psíquica?

[2] Que é o tempo? Um mistério: é imaterial e – onipotente. É uma condição do mundo exterior; é um movimento ligado e mesclado à existência dos corpos no espaço e à sua marcha. Mas deixaria de haver tempo se não houvesse movimento? Não haveria movimento sem o tempo? É inútil perguntar. É o tempo uma função do espaço? Ou vice-versa? Ou são ambos idênticos? Não adianta prosseguir perguntando. O tempo é ativo, tem caráter verbal, “traz consigo”. Que é que traz consigo? A transformação. O Agora não é o Então; o Aqui é diferente do Ali; pois entre ambos se intercala o movimento. Mas, visto ser circular e fechar-se sobre si mesmo o movimento pelo. qual se mede o tempo, trata-se de um movimento e de uma transformação que quase poderiam ser qualificados de repouso e de imobilidade: o Então repete-se constantemente no Agora, e o Ali repete-se no Aqui. Como, por outro lado, nem sequer os mais desesperados esforços nos podem fazer imaginar um tempo finito ou um espaço limitado, decidimo-nos a configurar eternos e infinitos o tempo e o espaço, evidentemente na esperança de obter dessa forma um resultado, senão perfeito, ao menos melhor.

[3] Os sábios da Idade Média afirmavam que o tempo era uma ilusão, que seu curso, entre causa e efeito, não passava do produto de um dispositivo dos nossos sentidos, e que o verdadeiro ser das coisas era um presente imutável. Terá passeado à beira-mar aquele doutor que foi o primeiro a conceber esse pensamento, saboreando nos seus lábios a leve amargura da eternidade? Seja como for, repetimos que aqui se falou de liberdades tais como a gente se permite nas férias, de fantasias inspiradas pelo ócio da vida, e das quais o espírito decente se farta tão depressa como um homem forte, do repouso na areia cálida. Criticar os meios e as formas do conhecimento humano, pôr em dúvida a sua validade objetiva, seria absurdo, desprezível e hostil, se tal atitude se baseasse numa outra intenção além da de designar à nossa razão limites que ela não pode transpor sem incorrer em negligência para com suas próprias funções.

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Sobre carolinayji

Desde que me conheço por gente, há algumas décadas, sou eu.
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