O Inventário das Coisas Ausentes

Author: Carola Saavedra
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2014
Edição: 1
Páginas: 128

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Não há dúvidas de que este livro é realmente lindo. A capa e principalmente a composição da estrutura narrativa – apesar de não ter conseguido apreciar tanto quanto gostaria do livro – são de saltar aos olhos.

Carola Saavedra é uma escritora chilena-brasileira contemporânea e esteve figurando na aclamada Granta como uma dos vinte melhores jovens escritores brasileiros.

Neste livro, a metalinguagem de Carola me confundiu. Logo eu, que sempre fui fã de metalinguagem (com Ricardo Lísias, Machado e tantos outros!), me perdi em um livro que apesar de gostar, não entendi. E aí recomeço todo o drama de quem, de início precisa entender que nem sempre um livro que a gente não entende é ruim.

Saavedra divide o livro em duas partes, a primeira sendo um “Caderno de Anotações” a segunda, “Ficção”. Na primeira parte, o narrador conta, sob uma ótica nada imparcial, a história de Nina, uma chilena de 23 anos, que apesar de ter um pai ateu, convive com seu avô fanático religioso. É para o narrador da história que Nina entrega 17 diários, relatando sua vida nos últimos 5 anos.

E este é o mote para a segunda parte, do “livro dentro do livro”.

Como inventariar o ausente? Preciso reler este livro.

Destaques:

[1] Eu te amo, diz o texto. Talvez entre o eu te amo e o amor propriamente dito haja um espaço intransponível. Talvez o tempo que passa. Mas não apenas. Talvez um inevitável desencontro. Essa incoerência. Leio o texto como se fosse parte de um romance. Talvez seja isso, e quando o amor acaba resta apenas ficção.

[2] Nina acorda às cinco da manhã, toma um banho de água fria e sai para correr, sozinha pela beira da praia, como se treinasse para uma maratona, dez quilômetros todos os dias, ela contando os minutos, o pulso, as batidas do coração. Uma angústia que não acaba. Por mais que Nina continue, implacável, o dia amanhecendo todos os dias, o ar fresco da manhã e as pessoas que pouco a pouco vão surgindo na paisagem, a angústia não diminui. Às vezes eu acordo, vejo a luz do banheiro, ou a camisola sobre a cadeira, ou uma sombra que atravessa o quarto, os olhos fechados até ela sair, às vezes distraído, repito em voz baixa, como se falasse para mim mesmo, como se falasse para ninguém, Nina, por mais que você corra e se molde e se canse, não há disciplina para o tempo que passa.

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Sobre carolinayji

Desde que me conheço por gente, há algumas décadas, sou eu.
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